domingo, 10 de julho de 2011

MINHAS IMPRESSÕES SOBRE JAMES O. FRASER

Acabei de ler o livro "Chuva na Montanha, uma nova biografia de James O. Fraser", cujo estilo desenvolto se atribui a pena de Eileen Crossman - filha de James -, o texto foi impresso no Brasil sob a égide da Missões Horizontes, 1999.

James O. Fraser é sem sombra de dúvida um marco indelével na história de missões. De compleição física forte e gentil presença, o jovem James aparentava ser apenas mais um jovem inglês que o mundo haveria de ver numa geração conhecida por somenos apatia espiritual. Ademais, em sua abastada infância de gérmen pós-aristocrática, James jamais cogitara a possibilidade de fazer de sua vida um farol que fulguraria a glória de Deus de maneira tão premente. Entretanto, após um profundo processo de entrega total a Deus, James, com apenas vinte e dois anos, deixou os regalados concertos de piano que tanto admiravam seus compatriotas ingleses e partiu numa missão além mar para o sudoeste da China.

Profundamente influenciado pelo brilhante missionário Hudson Taylor (Uma Vida pela China), James assentou em seu coração o desejo de desbravar a China até então intocada - mais precisamente a parte oeste. Quando chegou a China, o país que tanto queria ganhar para Cristo, o jovem missionário logo percebeu um povo que se destacava dentre os demais - os lisus do oeste, habitantes da luxuriosa província do Yunnan. Ato contínuo, com o coração hávido por subir as inóspitas e exóticas montanhas habitadas pelos lisus, James se comunicou com o então diretor da CIM (Missão para o Interior da China), o austero Sr. Hoste; pedindo ao mesmo permissão para iniciar sua intentona, pelo que recebeu tão gloriosa permissão.

Logo em uma de suas primeiras viagens, Fraser teve uma das mais traumáticas experiências de sua vida. Um Kachi, nativo que vive nas imediações do território dos lisus, de posse de um facão, tentou furtivamente matar o inexperiente desbravador inglês, vindo a persegui-lo por quase uma hora por entre as trilhas emperdenidas das montanhas sombrias do Yunnan. Se o Kachin tivesse logrado êxito em seu intento funesto, uma das empreitadas missionárias mais bem sucedidas de todos os tempos teria se frustrado ainda em gérmen. Contudo, por uma intervenção miraculosa de Deus este "contra-tempo" não veio a consumar-se; de modo que se iniciou um trabalho árduo que perduraria pelo restante da vida de James Fraser.

No que se refere a evangelização propriamente dita, o povo lisu era de difícil contextualização. Situações normais de pano de fundo ocidental eram inconsebíveis em território lisu, diga-se o "simples" uso de medicamentos de primeira necessidade, saneamento básico, noções de higiene pessoal etc. Tais medidas simples, na ótica de James, não se tratava de uma ocidentalização dos Lisus, mas, de um conjunto de melhorias que, grosso modo, acabaria com um índice terrível de mortalidade que grassava principalmente as crianças. Destarte, mesmo estas necessidades sendo prementes, não foram de pronto aventadas por James - era a vida eterna dos lisus que o preocupava.

Desta forma, de posse de um coração hávido por almas, se iniciou o trabalho próprio de desbravamento evangelístico da província de Yunnam. Todavia, não demorou muito para que as primeiras dificuldades viessem a acontecer. O povo lisu, absorto por séculos de engodo satânico - para usar as palavras de Fraser - pouco se importou com as novas do evangelho, vindo até a desdenhá-lo. Só com uma insistência quase que sobrenatural por parte do jovem missionário é que alguns nativos lisus vieram a dar ouvidos a mensagem da cruz. Entretanto, tão logo James viajava a outra vila, os jovens convertidos se viam, mais uma vez, envoltos nas trevas do engano. A inconsistência, a princípio, era a maior adversária de James.

Destarte, uma fato que chama atenção nesta profícua história de missões, foi a capacidade de contextualizar-se que james herdou de Hudson. O jovem se vestia, comia e vivia como um típico nativo lisu - em nada deixando a desejar. Outro ponto de suma importância, era o fato de que James jamais pagava por qualquer ajuda que recebia, visando, desde cedo, fomentar no neófito coração dos lisus uma perfeita motivação em relação a obra. Desta forma, regado a alguns legumes amargos, arroz cozido e uma vista exuberante, James percorria centenas de quilômetros por montanhas e vales inóspitos munido apenas de uma mochila e literatura para distribuir entre os lisus. Por pelos menos 9 anos, James se encontrou (quase) sozinho num dos locais mais ostis ao evangelho de então, sendo ajudado esporadicamente por missionários que cruzavam (providencialmente) seu caminho e por um grupo de oração que o mesmo incitou sua mãe a levantar na Inglaterra, justo por conta da tamanha solidão que o assaltava no campo.

Desta forma, após muitos anos de trabalho árduo e quase que sem frutos (aparentemente), quando já contava com 42 anos de idade, James conheceu aquela que dividiria com ele as benesses e as agrúrias do campo missionário - sua esposa Roxie. Foi ao seu lado que finalmente Fraser sentiu - que havia chovido na montanha - e que as moções advindas do céu, enfim, estavam chegando. Foi só após 20 anos que o Senhor permitiu que as redes fossem alçadas e o povo lisu fosse finalmente alcançado pela mensagem de Cristo. Nos conta a filha de Fraser que famílias inteiras se converteram naquilo que ficou marcado como um grande acontecimento na hitória de missões.

Não obstante, foram marcas indeléveis do ministério de James O. Fraser que até hoje influenciam poderosamente o trabalho de missões transculturais: trabalho auto-sustentado, aperfeiçoamento de liderança local, forte ensino teológico de base, pregação onde Cristo ainda não fora conhecido, e, acima de tudo, completa dependência da atuação do Espírito Santo. Como costumavam dizer seus amigos: James era 50 anos a frente de seu tempo.

James, que havia se tornado superintendente da CIM pouco antes de se casar com Roxie, veio a falecer de malária cerebral maligna a contar com cerca de 54 anos de idade; deixando mulher, duas filhas e um legado poderoso para todos quantos amam o Reino de Deus e sua justiça.

Recomendo a leitura de Chuva na Montanha.       

3 comentários:

Joel disse...

O que dizer?O livro está aí,basta apenas ler!!Um artigo supra!!

adriano canuto disse...

"Muitos livros em minha biblioteca estão agora desatualizados. Foram bons enquanto eram novos, à semelhança das roupas que usei quando tinha dez anos de idade; mas eu cresci e as deixei para trás. Ninguém jamais deixa para trás as Escrituras por ter crescido; esse livro se amplia e é mais conhecido à medida que passam nossos anos". Spurgeon

Fatima Viviane disse...

Esse livro é um grande ensino p/ os nossos dias, maravilhoso testemunho de amor , fidelidade e persistência de um homem que ousou ser um instrumento na mãos do Oleiro. Livro maravilhoso, chorei muito ao ler, tocou minha vida grandemente . Nossos lideres bem poderiam se espelhar nesses homens do passado, e certamente teríamos uma colheita sem igual. vale a pena ler . vou começar ler de novo.